Notícias
Imagem Ilustrativa Notícias

19/09/2008 - Leilão de energia reforça tendência de alta no preço

O resultado do leilão A-3, realizado nesta semana pelo governo federal, reforça a tendência de aumento no preço da energia elétrica brasileira, uma vez que o arremate registrou somente negócios envolvendo usinas termelétricas a óleo diesel e gás natural liqüefeito (GNL), para entrega de eletricidade a partir de 2011. Os dois combustíveis são considerados os mais caros para geração elétrica.

O que chamou atenção de analistas foi a falta de projetos que têm como fonte a água - insumo em abundância no País -, como as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). "O resultado do leilão A-3 demonstra uma questão de abastecimento versus preço", afirma Nivalde de Castro, coordenador Grupo de Energia Elétrica (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo observa o analista, conforme a regra estabelecida no sistema elétrico, o preço médio definido no arremate para cada lote - de R$ 128,42 por megawatt-hora - será pago quando a térmica estiver desligada - estratégia utilizada pelo governo para garantir a segurança do sistema elétrico. E o total de custos gerados pelas usinas, porém, é rateado entre todos os consumidores de eletricidade por meio de encargo na conta de luz. "Se as chuvas não forem suficientes para encher os reservatórios naquele ano (2011), as térmicas serão ligadas, aí o preço da energia será calculado", explica Castro. "Trata-se de um custo variável, já que a geração dependerá do preço do óleo diesel e do GNL".

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao ministério de Minas e Energia, comemorou o resultado do leilão, realizado na quarta-feira, levando em conta a garantia do abastecimento do setor. "Com o resultado, a oferta de energia prevista para entrar no Sistema Interligado Nacional até 2011 é mais que suficiente para atender aos mercados regulado (consumidores ligados às empresas distribuidoras) e livre (grandes consumidores)", informou, por meio de nota, Mauricio Tolmasquim, presidente da EPE. O leilão adicionou 1935,39 megawatts de potência ao mercado.
Antônio Carlos Fraga Machado, presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), tem o discurso afinado com Tolmasquim e ressalta a questão do abastecimento. "É importante destacar que a demanda está atendida para 2011", diz Fraga Machado. Ele classifica o certame como "muito bem sucedido, uma vez que vendeu toda a demanda com deságio (14,4%)". "Houve 73 rodadas de negociação, número recorde, o que demonstra a acirrada concorrência entre os participantes", completa.

Para Nivalde de Castro, a concorrência está diretamente ligada aos bons rendimentos de uma termelétrica. "O leilão mostrou que os empreendedores estão loucos para construir térmicas", completa. Além de térmicas, o certame ofertou quatro lotes de energia eólica (gerada pela força do vento), mas não houve interesse dos vendedores em fechar negócio, já que o preço-teto estabelecido pela licitação era o mesmo para todos os produtos (térmicos e eólicos), o que tira a competitividade da fonte alternativa.

Nova térmica da Petrobras
A Petrobras inaugurou ontem a termelétrica a gás natural Jesus Soares Pereira, no Rio Grande do Norte, estado que, ao lado do Ceará, possui maior potencial eólico do Brasil. A usina está localizada a 110 km de Mossoró e terá capacidade de geração de 320 MW. A estatal também abriu uma refinaria no estado, batizada de Clara Camarão. Por Roberta Scrivano.

Fonte: Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 5 - 19/9/2008.

 

Mais Notícias