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20/10/2008 - Fundo de aval é a opção atual para os menores - Valor Econômico

Funproger já garante operações que somam R$ 3,5 bilhões

Da Redação
Atualmente, os únicos mecanismos disponíveis aos micro e pequenos empresários como alternativa às garantias de crédito reais são os fundos de aval. Existem dois em operação no país. O Fundo de Aval de Geração de Emprego e Renda (Funproger), do Ministério do Trabalho, que é constituído com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e gerido pelo Banco do Brasil e o Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), gerido pelo Sebrae. Mas esses fundos não cobrem o total das garantias exigidas pelos bancos, cabendo ao empresário complementar a necessidade, oferecendo outras garantias.

Segundo Kedson Macedo, gerente-executivo da diretoria de micro e pequenas empresas do Banco do Brasil, o Funproger já garante operações que somam R$ 3,5 bilhões. O fundo garante até 80% do valor financiado. Para isso, o empresário paga uma taxa de 0,1% do valor garantido multiplicado pelo prazo de financiamento em número de meses. Para obter um financiamento de R$ 10 mil, pelo prazo de 36 meses, com 80% de garantia, por exemplo, o tomador do empréstimo paga uma taxa de R$ 288,00.

Já o Fampe, que originalmente garantia até 50% da operação e privilegiava empresas ligadas a Arranjos Produtivos Locais (APL), teve suas normas flexibilizadas no final do ano passado e vem ganhando impulso. Agora, o fundo também garante até 80% da operação e não distingüe mais empresas ligadas a APLs. Em 2007, relata Macedo, o Banco do Brasil realizou 507 operações com o fundo. Enquanto nos dois primeiros meses de operação com o novo formato foram realizadas 3.486 operações.

O Banco do Brasil oferece o Fampe para empresas com faturamento bruto anual de até R$ 2,4 milhões e as condições são idênticas às do Funproger. As operações garantidas com o fundo somam R$ 1,3 bilhão e beneficiaram mais de 36 mil micro e pequenos empresários.

Para Kedson Macedo, as sociedades garantidoras de crédito não devem substituir os fundos de aval. "São mecanismos que possuem o mesmo objetivo, facilitar o acesso do pequeno empresário ao crédito, mas possuem estratégias e público alvo distintos", acredita o executivo. Enquanto as sociedades garantidoras tendem a apoiar principalmente empresas organizadas e engajadas em comunidades, o fundo de aval trabalha de forma mais massificada, atendendo a empresários de diferentes perfis, mas principalmente aqueles que estão começando suas atividades. "São serviços complementares", avalia.

Macedo prevê evoluções na oferta de serviços de garantia de crédito, com a incorporação de novos mecanismos garantidores nos próximos anos. Um exemplo é a formação de sociedades garantidoras setoriais. Tradicionalmente, as sociedades garantidoras são multisetoriais. São assim para evitar que o colapso conjuntural de um segmento de atividade coloque em risco a própria sociedade garantidora. Agrupando empresas de diferentes setores, o risco se dilui. Mas já há o pleito de formação de uma sociedade garantidora setorial, pelos franqueados dos Correios, a Abrapost. "É uma experiência que levará ao desenvolvimento de uma solução especifica", afirma.

Outro modelo inovador, acredita Macedo, é o da garantia solidária. Neste caso, uma pequena comunidade de empresários, com um objetivo específico, como a compra de um equipamento que pode ter seu uso compartilhado, pode cotizar-se para oferecer ao agente financiador uma garantia conjunta. Mas, por enquanto, não há previsão para o desenvolvimento deste modelo no país.

Na Europa, a busca por modelos de garantia de crédito inovadores está mais avançada. Juan Luis Fernández Rubíez, conselheiro da sociedade garantidora Avalmadrid, informa que sua instituição tem se especializado no desenvolvimento de produtos específicos para uma ampla gama de públicos, como fundos garantidores específicos para empresas inovadoras, para novas empresas, para empresas comandadas por mulheres ou mesmo para empresas geridas por imigrantes. E a garantia pode ser tanto para obtenção de empréstimos, como para fins específicos, como a compra de equipamentos. "O que temos é que estudar as características de cada operação e estabelecer as condições necessárias para amenizar os riscos da operação", esclarece o executivo.

Alexandre Guerra de Araújo, gerente da unidade de acesso a serviços financeiros do Sebrae, também acredita que os modelos de garantia deverão evoluir significativamente nos próximos anos e não deverão ficar restritos apenas às operações de crédito. Para o executivo, a garantia é importante em inúmeras atividades, na locação de imóveis, por exemplo, ou nas operações comerciais entre empresas. "A tendência é que as sociedades garantidoras atendam também a estas demandas", diz Araújo.

Fonte: Valor On-Line

 

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